quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ARRENDARÁ A VINHA A OUTROS VINHATEIROS – evangelho Mt 21,33-43

ARRENDARÁ A VINHA A OUTROS VINHATEIROS – evangelho Mt 21,33-43

Há quem acha que o Evangelho seja uma doce água de rosas, um piedoso ensinamento inócuo que, afinal, só serve para enfeitar o que mais lhes convém. Essa visão equivocada, sem dúvida se distancia de qualquer preocupação exegética, contextual e atualizante, além de esquecer a secular interpretação, vivência e testemunho da Igreja, comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus.
Este trecho de Mateus, como muitos outros, é chocante, arrasador, denunciando a sorte daquelas pessoas que só buscam o poder de dominar, humilhar, explorar os demais com a ousadia e sacanagem de querer falar em nome de Deus: a vinha sera arrendada a outros vinhateiros!
Temos aqui uma denúncia e uma profunda recusa daquelas autoridades do templo de Jerusalém, toca de ladrões (Mc 11,17; Lc 19,46), até o ponto em que estas mesmas autoridades decidem matar Jesus (Mc 11,18). Mas verdadeiros canalhas, tem medo da reação do povo. A verdade revela os planos das trevas.
É briga, briga declarada. Aqueles que se acham os destinatários das promessas antigas, banhadas no sangue dos profetas, são agora excluídos, porque não conhecem a conversão; pior, como sempre, só cuidam de seus interesses. Usam o nome de Deus para mascarar sua ganância e mania de exclusão. Afinal, acreditam que podem estar acima do Deus da Vida.
A vida continua, também nos dias de hoje, de um lado uma multidão gritando justiça diante de Deus e do outro, uns poucos que não prezam a igualdade de voz e vez, de direitos e deveres, cuja finalidade existencial é se safar dos demais, mentindo, armados de exércitos, bens, poder e meios informativos que apresentam governos fantoches como se fossem os santuários da democracia.
O que vejo hoje em dia, em nossa realidade e, sem medo de dizer, no mundo todo é a estúpida teoria e prática do acúmulo e da concentração nas mãos de poucos, quando, qualquer economista, de qualquer tendência, sabe muito bem que a economia só tem um caminho: estar aberta a todos. Quanto mais as pessoas tiverem poder aquisitivo, quanto mais se cria giro de negócios e bem-estar. Quanto mais educação e saúde, mais teremos povos capazes de se autodeterminarem sem a canalhice de assaltar os outros com todo tipo de guerra e sabotagem. As autoridades do templo de Jerusalém, achavam que pra sobreviver era suficiente fazer bons olhos aos romanos. Ficar escravos, dependentes, pagar os tributos; o importante era elas terem umas regalias e que o povo se lascasse! O império daquele tempo (Roma), como os impérios de todos os tempos, sabem muito bem que, dividindo as pessoas, é o  meio melhor para dominá-las. E assim foi, pra Jerusalém e pro seu templo; infelizmente,  morte de tantos inocentes, sacrificados no altar da canalhice das autoridades e seus puxa-saco.
Ainda há pessoas ingenuas (ou hipócritas) que acham o mundo divido em comunismo e anti-comunismo. O comunismo histórico se foi, está morto. Hoje domina o mercado; a coisa, as coisas dominam o ser humano, a elas se sacrificam povos inteiros, culturas, até a própria mãe terra. Para isso tudo presta, até o uso da religião, como naquele tempo, assim hoje.
Jesus pregou e praticou a partilha. Até os próprios discípulos diante das multidões famintas pensavam que a solução era o mercado; comprar comida; não tendo dinheiro que os famintos se lasquem. Jesus vai além, muito além de "vocês deem comida", ele pede aos seus: "vocês se façam comida, alimento para aqueles que tem fome de vida" (Mc 6,30-44). Tem pessoas que ao ouvirem isso, acham se trate de um slogan comunista; quando digo que é o Evangelho de Jesus aí elas veem com duas reações: se forem cristãos, ficam vermelhas de vergonha (ainda bem); se forem pseudo-cristãos, se enfurecem e tacham a gente com todo tipo de apelido. Por isso que a Vinha de Deus (= o Reino de Deus, a Igreja, todo Homem de Boa Vontade) será tirado dos mercenários, mesmo que se camuflem atrás de religião ou pseudopartidos políticos. O que espero nestes dias de eleições políticas em nosso país é que as pessoas procurem de fato propostas, projetos em prol do bem dos brasileiros, grande povo, sofrido, mas cheio de tanta esperança. Espero que se larguem briguinhas de parte, interesseiras e se procure esta Vida Plena que Jesus nos aponta na sua Boa Nova.

Contra a imbecilidade do atual anticomunismo

Contra a imbecilidade do atual anticomunismo

17/12/2013

Mauro Santayana é um dos jornalistas mais eruditos do jornalismo brasileiro. Sempre comprometido com causas humanitárias, contundente e dotado de um estilo de grande elegância. Somos colegas como colunistas do Jornal do Brasil-on line. Recentemente, no dia 17/12/2013, publicou um artigo sob o título HAMEUS PAPAM  com o qual me identifiquei imediantamente. Sofro ataques imbecis de que sou comunista e marxista, como se para um teólogo com 50 anos de atividade, fosse uma banalidade fazer esta acusação. Sou cristão, teólogo e escritor. Marx nunca foi pai nem padrinho da Teologia da Libertação que ajudei a formular. O atual anticomunismo  revela a anemia de espírito e a pobreza de pensamento  que  estão prevalecendo como disfarce para esconder o desastre que significa a economia de mercado, altamente predadora da natureza e agressora de todo tipo de direitos humanos e agora numa crise da qual não sabem como sair. Há tempos o Zürcher Zeitung, o maior jornal suiço e pouco depois o Times diziam que o autor mais lido hoje é Marx. Não só por estudiosos, mas por banqueiros e financistas conscientes que querem saber por que seu sistema foi a falência e por que tem tantas dificuldades em sair dele, se é que encontram uma saída que não signifique mais sacrificio para a natureza (injustiça ecológica) e para a humanidade já sofredora (injustiça social). Hoje mais e mais se percebe que este sistema é anti-vida, anti-democracia e anti-Terra. Se não cuidarmos poderá nos levar a um abismo fatal. É uma reflexão que faço contra meus acusadores gratuitos e faltos de razão. Penso às vezes que Einstein tinha razão quando disse:”Existem dois infinitos:um do universo e outro dos estultos; do primeiro tenho dúvidas, do segundo, absoluta certeza”. Estimo que muitos dos anticomunistas atuais se inscrevem nesse segundo infinito. É fácil serrar árvore caída e convardia chutar cachorro morto. Pensemos, antes, no presente com sentido de responsabilidade, unidos face a um feixe de crises que nos poderá levar a uma tragédia ecológico-social. Como fazer tudo para evitá-la e garantir um futuro comum para todos, inclusive para a nossa civilização e para nossa Casa Comum. Essa é a questão maior a ser pensada e sobre ela inaugurar práticas salvadoras e não distrair-se com discutir um comunismo inexistente, morto e sepultado. LBoff
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Habemus Papam
Acusado por um conservador norte-americano de ser marxista, Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, negou sê-lo, mas disse que não se sentia ofendido, por ter conhecido ao longo de sua vida muitos marxistas que eram boas pessoas.
A declaração do papa, evitando atacar ou demonizar os marxistas, e atribuindo-lhes a condição de comuns mortais, com direito a ter sua visão de mundo e a defendê-la, é extremamente importante, no momento que estamos vivendo agora.
A ascensão irracional do anticomunismo mais obtuso e retrógrado, em todo o mundo — no Brasil, particularmente, está ficando chique ser de extrema direita — baseia-se em manipulação canalha, com que se tenta, por todos os meios, inverter e distorcer a história, a ponto de se estar criando uma absurda realidade paralela.
Estabelecem-se, financiados com dinheiro da direita fundamentalista, “museus do comunismo”; surgem por todo mundo, como nos piores tempos da Guerra Fria, redes de organizações anticomunistas, com a desculpa de se defender a democracia; atribuem-se, alucinadamente, de forma absolutamente fantasiosa, 100 milhões de mortos ao comunismo.
Busca-se associar, até do ponto de vista iconográfico, o marxismo ao nacional-socialismo, quando, se não fossem a Batalha de Stalingrado, em que os alemães e seus aliados perderam 850 mil homens, e a Batalha de Berlim, vencidas pelas tropas do Exército Vermelho — que cercaram e ocuparam a capital alemã e obrigaram Hitler a se matar, como um rato, em seu covil — a Alemanha nazista teria tido tempo de desenvolver sua própria bomba atômica e não teria sido derrotada.
Quem compara o socialismo ao nazismo, por uma questão de semântica, se esquece de que, sem a heroica resistência, o complexo industrial-militar, e o sacrifício dos povos da União Soviética — que perdeu na Segunda Guerra Mundial 30 milhões de habitantes — boa parte dos anticomunistas de hoje, incluídos católicos não arianos e sionistas, teriam virado sabão nas câmaras de gás e nos fornos crematórios de Auschwitz, Birkenau e outros campos de extermínio.
Espalha-se, na internet — e um monte de beócios, uns por ingenuidade, outros por falta de caráter mesmo, ajudam a divulgar isso — que o Golpe Militar de 1964 — apoiado e financiado por uma nação estrangeira, os Estados Unidos — foi uma contrarrevolução preventiva. O país era governado por um rico proprietário rural, João Goulart, que nunca foi comunista. Vivia-se em plena democracia, com imprensa livre e todas as garantias do Estado de Direito, e o povo preparava-se para reeleger Juscelino Kubitscheck presidente da República em 1965.
1964 foi uma aliança de oportunistas. Civis que há anos almejavam chegar à Presidência da República e não tinham votos para isso, segmentos conservadores que estavam alijados dos negócios do governo e oficiais — não todos, graças a Deus — golpistas que odiavam a democracia e não admitiam viver em um país livre.
Em um mundo em que há nações, como o Brasil, em que padres fascistas pregam abertamente, na internet e fora dela, o culto ao ódio, e a mentira da excomunhão automática de comunistas, as declarações do papa Francisco, lembrando que os marxistas são pessoas normais, como quaisquer outras — e não são os monstros apresentados pela extrema-direita fundamentalista e revisionista sob a farsa do “marxismo cultural” — representam um apelo à razão e um alento.
Depois de anos dominada pelo conservadorismo, podemos dizer, pelo menos até agora, que Habemus Papam, com a clareza da fumaça branca saindo, na Praça de São Pedro, em dia de conclave, das veneráveis chaminés do Vaticano.
Um Papa maiúsculo, preparado para fortalecer a Igreja, com o equilíbrio e o exemplo do Evangelho, e a inteligência, o sorriso, a determinação e a energia de um Pastor que merece ser amado e admirado pelo seu rebanho.

Votar em Dilma Roussef para continuar a invenção do novo Brasil

Votar em Dilma Roussef para continuar a invenção do novo Brasil

01/10/2014

Tempos atrás publiquei um artigo com o título “Contra as tramóias da direita: sustentar a Dilma Rousseff” Agora em tempos de campanha presidencial vejo como ele mantem ainda atualidade. Refaço o texto no contexto atual. É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças elitistas que sempre ocuparam o poder de Estado e o trataram como propriedade privada (patrimonialismo), apoiadas pela midia privada e familiar, está se aproveitando da crise que é mundial e não apenas nacional (e temos a vantagem de manter um mínimo de crescimento e o emprego dos trabalhadores, coisa que não acontece nem na Europa e nem nos USA) para fazer sangrar a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.

Celso Furtado num livro pouco lido A construção interrompida (1993) escreveu com acerto:”O tempo histórico se acelera e a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação” (Paz e Terra, Rio 1993, 35).

Aqui reside a verdadeira questão: queremos prolongar a dependência daquelas forças nacionais e mundiais que sempre nos mantiverem alinhados e sócios menores de seu projeto ou queremos completar a invenção do Brasil como nação soberana que tem muito que contribuir para atual crise ecológico-social do mundo.

Se por um lado não podemos nos privar de algumas críticas ao governo do PT, mas críticas construtivas, por outro, seria faltar à verdade se não reconhecêssemos os avanços significativos sob os governos do Partido dos Trabalhadores. A inclusão social realizada e as políticas sociais benéficas para aqueles milhões que sempre estiveram à margem, possuem uma magnitude histórica cujo significado ainda não acabamos de avaliar, especialmente se nos confrontarmos com as fases históricas anteriores, hegemonizadas pelas elites tradicionais que sempre detiveram o poder de Estado.

Surgiu um estranho ódio contra o PT em muitos âmbitos da sociedade: suspeito que esse ódio é porque as políticas públicas permitiram aos pobres usarem o avião e visitarem seus parentes no nordeste, que conseguiram comprar seu carrinho e entrar num shopping moderno. O lugar deles, dizem, não é no avião mas permanecer lá na periferia, pois esse é seu lugar. Mas eles foram integrados na sociedade e em seus benefícios.

Devemos aproveitrar as oportunidades que os países centrais em profunda crise nos propiciam: reafirmar nossa autonomia e garantindo nosso futuro autônomo mas relacionado com a totalidade do mundo ou desperdiçá-las e vivermos atrelados ao destino sempre decidido por eles que nos querem condenar a sermos apenas os fornecedores dos produtos in natura que lhes falta e assim voltam a nos recolonizar.
Não podemos aceitar esta estranha divisão internacional do trabalho. Temos que retomar o sonho de alguns de nossos melhores analistas do quilate de Darcy Ribeirp e de Celso Furtado entre outros que propuseram uma reinvenção ou refundacão do Brasil sobre bases nossas, gestadas pelo nosso ensaio civilizatório tão enaltecido mundialmente.
Este é o desafio lançado aos candidatos à mais alta instância de poder no país. Não vejo figura melhor para seguir nesta recontrução a partir de baixo, com uma democracia representativa e participativa, com os seus conselhos e movimentos populares opinando e ajudando a formular caminhos que nos levem para frente e para o alto do que a atual Presidenta Dilma.
A situação é urgente pois, como advertia, pesaroso, Celso Furtado: “tudo aponta para a inviabilização do país como projeto nacional” (op.cit. 35). Nós não queremos aceitar como fatal esta severa advertência. Não devemos reconhecer as derrotas sem antes dar as batalhas como nos ensinava Dom Quixote em sua gaia sabedoria.
Essa batalha será decidida dia 5 de outubro. Que os bons espíritos guiem os rumos de nosso país.

http://leonardoboff.wordpress.com/2014/10/01/votar-em-dilma-roussef-para-continuar-a-invencao-do-novo-brasil/

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Una mistica di fedeltà creativa

I nuovi orizzonti della VC  in America Latina

UNA MISTICA DI FEDELTÀ CREATIVA

In AL sta nascendo una VC più umile, più centrata in Dio, più missionaria, più semplice, mossa dallo Spirito e dai suoi carismi, con nuove forme di comunità aperte ai laici; una VC che scuote per le piccole storie a cui dà origine, per la bellezza dei volti compassionevoli, gioiosi, e il cuore rivolto a coloro che soffrono.

La vita consacrata in America latina è alla ricerca di nuove idee. Non si rassegna a diventare un fossile. Vuole essere un organismo vivo e fecondo. Non è solo un auspicio, ma l'orizzonte delineato dall'Assemblea generale della CLAR del giugno a Quito, nel conte­sto di un Piano globale progettato per i prossimi anni. Lo slogan di quella assemblea, i cui risultati furo­no poi presentati anche al papa Fran­cesco, era: "Ascoltiamo Dio dove la vita grida". (cf. Testimoni 11/2013). In America latina la VC, sulla spinta delle idee formulate in questo Piano globale, sta vivendo un processo di rivitalizzazione, si potrebbe dire, di "rifondazione", il cui grembo di ge­stazione è la vita del popolo. È in questo ambito che essa nutre deside­ri, ideali, sogni che rafforzano la sua volontà di essere segno. È interessante ciò che scrive a que­sto riguardo Carlos Del Valle, svd, nel quaderno della rivista cilena di VC Testimonio di novembre-dicem­bre 2013. La vita consacrata vuole tornare ad essere segno, mostrando, di fronte al secolarismo, all'indifferenza, alla su­perficialità, il desiderio di Dio insito nel profondo del cuore di tanti uo­mini e donne; nel proporsi come esperienza di vita fraterna, di fronte all'individualismo e alla solitudine, e come strumento per costruire comu­nione. Inoltre, di fronte al consumi­smo, vuole mostrarsi come espres­sione di un anelito di semplicità e li­bertà interiore, di austerità di vita, e davanti alla smania del potere e del dominio, come espressione di un de­siderio di dedizione, di servizio umi­le e di una gratuità del tutto aliena dal prestigio.

La ricerca di una vita mistica
Del Valle descrive le vie, e di conse­guenza le scelte, che dovranno caratterizzare il rinnovamento della vita consacrata nel continente. La prima che indica è quella della mistica. Il secolo XXI, scrive, o sarà mistico o non sarà umano. La mistica qui è in­tesa come riscoperta del senso profondo della vita, come apertura all'orizzonte di Dio.
«Viviamo - scrive - di cose che ci di­straggono, di urgenze che ci aneste­tizzano, di compiti che ci soddisfano e di sicurezze che ci tranquillizzano ... vegetando tra l'indifferenza e la rou­tine, istallati nelle nostre fedeltà. Ma a che cosa siamo fedeli? Al passato o a ciò che Dio vuole da noi? Per esse­re fedeli al passato bastano le prati­che e le consuetudini. Per essere fe­deli all'oggi è necessaria la creatività. La prima virtù del mistico è di esse­re creativo, non fedele alla routine. Noi vogliamo collocarci come uomi­ni e donne di Dio in questa società. Ma ... come Elia (1Re 19, 1-14) ci ri­fugiamo nelle nostre grotte: tradizio­ni, routine, le nostre verità, costumi e sicurezze. L'angelo (il popolo, la so­cietà) ti dice: «esci dalle tue grotte, dalle tue consuetudini, dalle tue con­vinzioni, dalle tue verità imparate ... e mettiti davanti ai bisogni della gen­te». Come Gesù che nella missione si orienta non tanto verso ciò che ha imparato, ma verso i bisogni delle persone che incontra.
Si sente un vento impetuoso, il terre­moto, il fuoco ... il nostro attivismo, il protagonismo, tutto ciò che ci fa rite­nere importanti e ci dà prestigio, ciò che ci induce ad essere funzionari del sacro e non testimoni di Gesù. Facciamo molte cose, fino a pensare che la VC acquisti efficacia lavorati­va, eccellenza professionale ... Ma an­che "eccellenza evangelica?" La do­manda va in un'altra direzione. Tra­smettiamo molto vangelo nelle mol­te cose che facciamo?
Le nostre istituzioni, il significato sociale di cui godiamo, la guida mo­rale che esercitiamo, il personaggio in cui mi rifugio, l'essere élite sacra che mi ·induce a ritenermi diverso ... Tutto quello che allontana dalla vita di coloro che hanno poco, sanno po­co e possono poco. Il potere, il cleri­calismo, gli abusi nella Chiesa, le no­stre verità escludenti guardano dal­l'alto i laici, ai diversi ... Qui non c'è il Signore.
Una brezza soave ... Nella vita reli­giosa del continente sta nascendo qualcosa di nuovo: un linguaggio di coerenza, cose fatte con amore, nu­trite di preghiera, un linguaggio che vola alto. Ansia di spiritualità, colti­vazione della dimensione contem­plativa, interesse per l'inserimento tra il popolo, al servizio degli ultimi. Lo Spirito sta risvegliando la grazia della missione, una missione come dialogo. Si sta profilando una VC più umile, di qualità spirituale, più cen­trata in Dio, più missionaria, più semplice dal punto di vista istituzio­nale, mossa dallo Spirito e dai suoi carismi, con nuove forme di comu­nità aperte ai laici, una VC che scuo­te per le piccole storie a cui dà origi­ne, per la bellezza dei volti compas­sionevoli, gioiosi, con il cuore rivol­to a coloro che soffrono.
Si respira una crescente ansia di cambiamento. Nei messaggi e nelle assemblee la consegna basilare è:
Vogliamo un'altra cosa. Stanchi del­la mancanza di onestà, di trasparen­za nelle diverse sfere pubbliche e nelle sfere segrete personali. La no­stra VC possiede una profonda carica di buona volontà, di sete di one­stà e coerenza, di fame di vita, di se­te di Dio. Tanti religiosi/e ogni gior­no gridano il vangelo con la vita e di­cono che lo spazio della Chiesa e della VC nella società non deve esse­re il potere.
Vogliamo vivere come discepoli-fra­telli e missionari-testimoni. Se un missionario non è testimone, è un autoinganno. Uno può spostarsi da un continente all'altro, ma se non è testimone di Cristo, sarà in missione come chi è in un safari. Se non siamo radicati nell'esperienza di Dio, non avremo niente da dire ai nostri con­temporanei. Ci sentiremo irrilevanti, impotenti a rispondere alle sfide che la società pone oggi alla Chiesa. La domanda fondamentale è: abbiamo l'energia spirituale necessaria per far fronte alle sfide che oggi ci pone la società?
Con il Concilio abbiamo intrapreso il rinnovamento della VC cercando l'efficacia apostolica. Oggi lo faccia­mo a partire da presupposti spiritua­li, entrando più nella logica del dono che in quella dell'eroismo personale. La vita, più che di salvatori, ha biso­gno di innamorati. Il problema nella vita consacrata è quello della spiri­tualità, dell'avere o no esperienza di Dio. È la risposta alla crisi delle per­sone e alla crisi dell'istituzione. Il peccato ... l'anemia spirituale. Quan­do si perde la passione per Gesù e il suo regno, ci resta il rifugio nelle pra­tiche devozionali. Da qui una vita light: in preghiere formali e di routine, una vita comunitaria che si riduce a vivere e a lasciar vivere, la missione come un insieme di compiti, gusti e a termine ... Quando ci si attacca il vi­rus dell'anemia spirituale diventiamo degli otri vecchi, senza creatività. Il vino nuovo della testimonianza di­venta aceto. E vi mettiamo i limiti della categoria che paralizza la spe­ranza».

L’OPZIONE PER GLI ESCLUSI
La seconda linea: il secolo XXI o op­terà per gli esclusi o non sarà cristia­no. Come nutrire una missione cari­smatica e profetica?
«La crisi di identità - sottolinea Del Valle - deriva sempre da una debole esperienza di Dio e da un disorienta­mento nella missione. Che identità stiamo consolidando oggi? Una iden­tità corporativa, alimentata a partire da una comunità di missione a servi­zio dei feriti dalla violenza della sto­ria, ai margini del benessere?
Noi religiosi/e siamo presi da tante cose e a volte lasciamo ciò che ci ri­guarda. Con un duplice pericolo: di­ventiamo funzionari del sacro, o spe­cialisti in cose generiche, con una identità light. È più comodo lavora­re in progetti pastorali già esistenti che inaugurare nuove presenze mis­sionarie di frontiera. Per il primo aspetto, basta la capacità di gestione. Per il secondo, si richiede creatività e coraggio. Se saremo creativi e co­raggiosi continueremo a dare un no­me alle realtà della nostra vita e mis­sione. Continueremo a definirle e a qualificarle, dando un orientamento evangelico e un significato nella Chiesa e nella società.
Tanti elementi assumeranno un no­me nuovo e un orientamento evan­gelico e un significato nuovo nella Chiesa e nella società. A titolo di esempio: vita consacrata ... più vita e più con­sacrata, volontà di Dio ... relazioni fraterne, la mia congregazione .... allargare la tenda ai laici, i miei fratelli e le mie sorelle ... ri-af­fascinati della loro vocazione. Religioso, religiosa ... volontario, vo­lontaria a tempo pieno. Progetto di vita e di missione ... gli al­tri, la vita di coloro che soffrono. Sorelle/fratelli, sacerdoti ... apprendi­sti come discepoli-fratelli. Spiritualità ... di donazione, di incon­tro. Comunità .... dalla porte aperte, in­terculturale. Religiosi/e ... con energia spirituale, formati in profondità. Missionari/e ... testimoni, non funzio­nari. Missione ... carismatica e profetica. Sfide della realtà .... volontà di Dio scritta nella vita. Luogo dei religiosi/e ... il deserto, la periferia, la frontiera.
Così cambierà il clima della Chiesa e verso la Chiesa: attraverso il servizio e la donazione, passando dal clerica­le-gerarchico al fraterno-discepola­re. Nella dedizione troviamo la no­stra identità religiosa. Ciò che oggi convince da parte di qualcuno non è la sua parola, non sono le sue opere, la sua predicazione o gestione, ma la sua vita dedicata agli altri; farsi cari­co, incaricarsi e caricarsi di ciò che avviene e pesa negli altri.
La nostra identità, il carisma, la spi­ritualità li scopriremo non solo rovi­stando nella tradizione della nostra congregazione. Li troveremo anche nella missione carismatica e profeti­ca che incarniamo. Il sale e il lievito esprimono ciò che sono e lo scopo a cui servono quando si mescolano, quando si perdono e si consumano nel dare sapore e nel far fermentare la massa del pane. Il significato della nostra vocazione ... è cercare Dio al di là dell'ambito del sacro, nelle frontiere dove vivono coloro che hanno tutto contro, in luoghi dove la vita e l'esclusione giungono ad esse­re quasi sinonimi. Ciò che importa è la sofferenza delle persone. L'amore cristiano si manifesta quando il suo mondo si concentra completamente nel dolore del debole, cercando di fare in modo che tutti gli esseri viventi siano liberi dal dolore. La vita e l'amore si diffondono dove ci sono religiose/i che sono dono nel cuore degli ambienti emarginati. Le comunità di periferia costituiscono il contrassegno di una VC mistico-pro­fetica latinoamericana. Un servizio invitante ... che la caratterizza. La VC è tornata alla sua terra di origine. L'incontro con il povero è il territo­rio della VC per eccellenza. Il tribu­nale dei poveri giudica la nostra mis­sione. È facile incontrare l'escluso, la cosa difficile è continuare l'incontro, tradurlo in punto di orientamento della propria vita e missione. Facciamo della missione profetica una convinzione, una persuasione, più che un'idea. Le idee si pensano. Nelle convinzioni si vive. La spiritua­lità di chi vive nelle sue convinzioni è la nostra forza. Sempre guardando verso l'alto ma dal basso. Perché ab­biamo il cuore accanto agli esclusi. Con essi e a partire da essi si vive il vangelo. Il nostro compito ... sentirci e sederci con la Parola di Dio accan­to ai poveri per alimentare la consa­crazione».

Una linea ecumenica e interculturale
La terza linea indicata da Del Valle:
Il secolo XXI cristiano o sarà ecume­nico, interculturale o non sarà eccle­siale.
«Un carisma vive nella misura in cui lo si rigenera. Se vogliamo essere fe­deli al carisma dei fondatori e delle fondatrici, bisogna cambiare la vita nei nostri istituti, cambiando noi la nostra vita. Chiamati alla fedeltà creativa: fedeli alle radici e fedeli al nuovo per non adagiarci nel passato, soffocando lo Spirito a forza di rou­tine. Guardare avanti, impe­gnandoci per il futuro, la­sciandoci toccare dall'im­pulso del nuovo. Dio si ma­nifesta negli avvenimenti prima che nella Parola. Il Dio biblico è il Dio della vita, della storia. Molte co­se che oggi definiamo co­me Parola di Dio, Israele le imparò dai popoli e dalle religioni vicine. Le ricevette da Dio attraverso di essi. Il nostro mondo è più plurale ... Il presente con futuro della vita consa­crata passa oggi attraverso il profeti­smo della interculturalità.
Per essere costruttori e testimoni del carisma della VC nel sec. XXI biso­gna intraprendere il cammino del dialogo interculturale. Costa passare dall'io al tu culturalmente diverso e più ancora al noi della intercultura­lità. Viviamo con una serie completa di relazioni e amicizie. Apriamo la porta e facciamo accomodare alla nostra mensa (tempo, amicizia, beni, interesse) coloro che scacciano i de­moni essendo dei nostri. Ci minaccia una grettezza di mentalità, di relazioni ed esperienze chiuse nella nostra cultura; ci riduce, ci rende ripetitivi, chiusi nelle consuetudini, incapaci di aprirci a qualcosa di nuovo. Ci fa sen­tire insicuri il fatto di allargare la ten­da delle nostre relazioni e lasciare che entri gente di confine, forse por­tatrice di modifiche all'insieme del nostro modo di vivere. Quando entra gente diversa, questa smuove le sicu­rezze, e non ci lascia installarci né es­sere incoerenti; ci fa abbreviare la di­stanza tra ciò che siamo e quello che diciamo. È come il sale sulla ferita, brucia ma risana, non ci lascia marci­re nella mediocrità.
 La vita religiosa sarà significativa oggi se assumerà le differenze cultu­rali delle persone e dei gruppi nella vita e nella missione. Le vie del pro­fetismo passano attraverso l'impe­gno a gettare ponti e aprire strade di andata e ritorno per creare una ci­viltà di dialogo e inclusione. Il mono­logo ci rende coscienti di noi stessi; il dialogo ci apre alla realtà e ci cambia in essa e con essa. L'incontro inter­culturale è fonte di fecondo appren­distato. La persona diversa mi arric­chisce, mi aiuta a passare dall'indif­ferenza al dialogo per incontrarci. Mi aiuta a convivere, non a compe­tere; ad essere umile perché come esseri umani abbiamo bisogno di umiltà per convivere, non di prepo­tenza per competere. Pensiamo a che cosa potranno essere le nostre congregazioni se si lasceranno tocca­re il cuore da altre culture non occi­dentali ...
L'attenzione alla diversità farà e­mergere una nuova spiritualità, un'autentica comunione. Sarà un fat­tore di rinnovamento e di creatività, di trasformazione che indurrà a pas­sare dal centralismo al pluralismo, da uno stile dogmatico a uno stile dialogico, dall'eccesso di identità e autosufficienza all'autocritica e al­l'innovazione. Obbligherà a rompere abitudini e atteggiamenti di routine comodi, paralizzanti e ad abbando­nare la rigidità di certe tradizioni vuote e insignificanti. L'intercultura­lità nelle comunità oggi richiede di dare vita al vangelo e credibilità alla vita religiosa”.
(Tratto dalla rivista TESTIMONI, n° 4 di aprile 2014)





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